
Um fenômeno recente que a sociedade vive, é o de descrença nas instituições públicas, sejam elas a Igreja, o Estado, a Justiça. Nossos jovens de hoje, não são como os jovens dos anos 80 que lotavam praças em busca de direitos que a ditadura vigente cerceava. Hoje, uma sociedade conectada através da globalização, de alguma forma ou de outra ocuparam nossa vida com as inventabilidades tecnológicas e o mundo pop acompanhou muito bem essa tandência.
As grandes estrelas do pop souberam fazer o uso do show business a seu favor e Madonna, não conseguiu o status de rainha do pop a toa: o uso da imagem, dos clipes e das superproduções povoam nossas mentes e os gays se tornaram os grandes apreciadores dessa nova cultura de consumo, como de outras muitas culturas de consumo, imagem e status que seduzem os gays de uma maneira avassaladora.
Esse mundo carente de ídolos faz com que essa necessidade de crença que o ser humano possui seja canalizada para algum lugar e muitos de nós, a fizeram da maneira mais supérflua possível: o mundo pop.
Na esteira de Madonna, Britney Spears surgiu como a nova promessa do pop na década passada com sons rebolativos, sem a mesma politização que a 'rainha' possuia, já que o contexto era de um mundo mais democrático e a necessidade de vendas de discos passava por cima do talento.
Os anos passaram e mesmo a fórmula pronta de Spears, foi ficando de lado com o surgimento de estrelas como Beyoncé, Amy Winehouse, Shakira... que volta e meia bebiam da mescla criada por Madonna nos anos 80/90 mas com outros ritmos (R&B, latin, soul) ou roupagens, viraram ícones e se tornaram mais populares.
O final dos anos 00 vivia um marasmo de criações, e nessa brecha a evidência foi o surgimento de uma cantora que misturava fashionismo, letras incandescentes, certa politização em torno dos gays e uma mistura requentada de Madonna com alguns outros ingredientes, tava aí a Lady Gaga.
Desde quando Gaga tomou o cenário internacional do pop a seu favor, a especulação do seu estrelato é grande e Britney, saída de anos de polêmicas, problemas na vida particular, performaces alimentadas por play-back pela voz que deixou de ter e aparente cansaço, tentou dar a volta por cima, mas encontrou um cenário diferente da sua saída: concorrência extrema.
Por isso, hoje há uma certa briga Gaga x Britney que alimentada pelos fãs das duas cantoras, dão um show de ignorância e intolerância para quem ouse falar mal de uma das duas, principalmente nas redes sociais.
Os vexames passados por Whinehouse anos atrás, não possuíam essa característica por ser uma estrela soul e por que muitos de seus fãs já eram adultos. Já as duas, tem um forte público adolescente que, emergido do final dos anos 2000, cercado pela tecnologia e por uma sociedade que exige absorção de conteúdo sem questionamento e reflexão, se vê idolatrando cantoras com conteúdo musical duvidoso e nutrindo uma intolerância com suas opniões que são apenas um dos reflexos dessa nova geração.
Os acalorados discursos entre as duas cantoras já gerou brigas transmitidas pela internet e em certos blogs gays virou um radicalismo exacerbado.
Jovens, oriundos de uma épóca em que se debate mais sobre a nova música de fulana de tal e se sabe pouco ou quase nada sobre seus próprios direitos.